A Ecotopia Activa tem na sua génese a cidadania activa, assumindo um papel interventivo na defesa do ambiente, dos ecossistemas, do território e dos bens comuns. A associação participa activamente em processos públicos relacionados com ambiente, alimentação sustentável, qualidade de vida urbana e justiça territorial.
Integramos plataformas, consultas públicas, iniciativas comunitárias e processos participativos, promovendo a democracia participativa e o envolvimento directo das comunidades na construção de decisões colectivas. Acreditamos que territórios mais sustentáveis se constroem através da cooperação, da escuta activa e da capacidade colectiva de intervir no espaço público.
Ao longo da sua actividade, a associação tem participado em consultas públicas, elaborado manifestos e cartas abertas, promovido petições, intervenções jurídicas e participado em Assembleias Municipais e manifestações, sempre em defesa do ambiente, da saúde pública e do território.
Integra a PAS - Plataforma Água Sustentável, que alerta para a necessidade urgente de medidas estruturais face à escassez hídrica e à gestão sustentável da água, bem como o PASDM - Plano de Acção para a Salvaguarda da Dieta Mediterrânica, contribuindo para a valorização dos sistemas alimentares locais e do património cultural e alimentar.
Participa também em processos estratégicos como o PMAAC - Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas e o PMSCT - Plano de Mobilidade Sustentável da Cidade de Tavira, onde tem vindo a defender abordagens mais coerentes com os desafios climáticos actuais, a saúde pública e a sustentabilidade urbana.
A associação integra ainda o movimento “Salvar as Alagoas Brancas”, em defesa de uma zona húmida de elevado valor ecológico no concelho de Lagoa, actualmente sob risco ambiental.
Uma das iniciativas mais recentes e emblemáticas da Ecotopia Activa é a criação da BIOMAQ – Biblioteca Comunitária de Máquinas Agrícolas, co-financiada pela Câmara Municipal de Tavira. Este projecto estabelece um sistema de auto-gestão comunitária de maquinaria agrícola, baseado na partilha de recursos entre hortelãos e pequenos agricultores. As regras de utilização foram definidas em assembleia de utilizadores, num processo participativo e consensual, tornando a BIOMAQ um exemplo concreto de gestão colaborativa e cidadania activa.
A defesa do Centro de Experimentação Agrária de Tavira está na origem da Ecotopia Activa e do próprio movimento de cidadania que lhe deu origem. Este espaço emblemático, com cerca de 1000 variedades fruteiras e quase um século de existência, constitui um verdadeiro património vivo e um núcleo fundamental da Dieta Mediterrânica. Apesar da Declaração de Impacto Ambiental desfavorável emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente relativamente a uma proposta de atravessamento rodoviário, o centro continua sob pressão e risco, agravado pela falta de recursos humanos, envelhecimento das equipas e ausência de investimento político consistente. A sua salvaguarda, revitalização e abertura à comunidade são uma prioridade central da ação da Ecotopia Activa, enquanto futuro centro de competências da Dieta Mediterrânica e potencial pulmão verde da cidade.
Neste contexto, a Ecotopia Activa tem vindo a alertar para a necessidade de revisão do Plano de Mobilidade Sustentável da Cidade de Tavira, por considerar que não responde aos actuais desafios da mobilidade sustentável, da saúde pública, das alterações climáticas e da gestão responsável dos recursos naturais, além de ter sido desenvolvido sem participação efectiva das populações directamente afectadas.
A nossa atuação, em escala local, regional e nacional, afirma-se sempre a partir da sociedade civil, enquanto expressão organizada da cidadania. Entendemos este papel como uma responsabilidade colectiva de intervenção informada, independente e contínua, orientada para a defesa do interesse público, a protecção dos bens comuns e a construção de alternativas mais justas, sustentáveis e democráticas para o território e para as comunidades.
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50 anos depois da Revolução de Abril, a Ecotopia Activa volta a cultivar cravos como símbolo de liberdade, participação cidadã e construção comunitária.
A iniciativa envolve escolas, hortelãos, voluntários e comunidade, ligando memória histórica, alimentação, território e cidadania activa.